Misturar álcool e medicamentos pode causar desde perda de efeito do remédio até intoxicações graves, quedas, acidentes e, em alguns casos, risco de morte. Entender como essas interações acontecem ajuda a tomar decisões mais seguras no dia a dia e a conversar melhor com seu médico ou farmacêutico
- Evite totalmente misturar álcool com remédios que dão sono ou “acalmam” (clonazepam, outros benzodiazepínicos, opioides, remédios para dormir como zolpidem).
- Tenha cuidado extra com álcool junto de antidepressivos, estimulantes para TDAH (Ritalina, Venvanse), antipsicóticos, antibióticos específicos e paracetamol em doses altas ou repetidas.
- Se a pessoa ficar muito sonolenta, confusa, com respiração lenta, dor no peito, desmaio ou convulsão após misturar álcool e remédio → trate como possível emergência e procure atendimento imediatamente.
- Em caso de dúvida ou se misturou sem querer, pare de beber, observe sintomas nas horas seguintes e converse com médico ou serviço de saúde para orientação personalizada.
🚫 Evite totalmente
Misturar álcool com estes medicamentos aumenta muito o risco de sedação extrema, queda, coma e até morte.
- Benzodiazepínicos (ex.: clonazepam, alprazolam, diazepam)
- Remédios para dormir (ex.: zolpidem e similares)
- Analgésicos opioides (ex.: codeína, tramadol, morfina)
- Antipsicóticos (ex.: quetiapina, olanzapina, risperidona)
Na prática: se usa qualquer remédio desta lista, trate álcool como “proibido” até alinhar claramente com seu médico.
Se você usa remédios para TDAH, temos um artigo completo sobre medicamentos para TDAH e álcool: riscos e o que conversar com seu médico.
Leia o artigo
Por que álcool + remédio dá problema?

O álcool é uma substância ativa, que interfere em vários sistemas do corpo ao mesmo tempo, principalmente fígado, cérebro, coração e estômago. Muitos medicamentos usam essas mesmas “rotas” do organismo para serem metabolizados ou atuar no sistema nervoso, por isso as interações acontecem.
Em alguns casos, o álcool potencializa o efeito do remédio (por exemplo, sedação, sonolência, queda de pressão). Em outros, ele diminui a eficácia do tratamento, atrapalha a adesão ou aumenta a toxicidade em órgãos como fígado e estômago.
O que o álcool faz no fígado (metabolismo)
O fígado é o principal órgão responsável por “quebrar” tanto o álcool quanto a maior parte dos medicamentos. Para isso, ele utiliza sistemas de enzimas (como o citocromo P450, incluindo CYP2E1) que transformam essas substâncias em compostos mais fáceis de eliminar.
Quando a pessoa bebe com frequência, o fígado pode aumentar a atividade de algumas dessas enzimas, o que muda a forma como determinados remédios são metabolizados. Dependendo do medicamento, isso pode:
- Aumentar a formação de metabólitos tóxicos (como acontece em situações de risco com paracetamol e consumo crônico de álcool).
- Acelerar a eliminação do remédio, reduzindo seu efeito (por exemplo, em alguns fármacos que dependem dessas vias).
- Competir com a metabolização do medicamento em uso agudo de álcool, atrasando a eliminação de um ou de outro.
No caso do paracetamol, a interação com álcool é complexa: uso crônico de álcool pode aumentar a vulnerabilidade do fígado em caso de overdose, enquanto a ingestão aguda de álcool pode, temporariamente, interferir na formação de metabólitos tóxicos. Isso não significa que seja seguro “proteger o fígado” bebendo junto: o recado prático é evitar misturar e seguir as doses máximas da bula.
Depressão do sistema nervoso (sedação, reflexos, respiração)
O álcool é um depressor do sistema nervoso central, ou seja, diminui a atividade de áreas do cérebro responsáveis por alerta, coordenação motora, julgamento e controle da respiração. Muitos medicamentos atuam exatamente nesses mesmos circuitos, potencializando ou modulando essa depressão.
Quando se mistura álcool e remédios que também “diminuem o ritmo” do cérebro, os efeitos se somam ou até se multiplicam:
Em situações graves, respiração lenta demais, queda importante da pressão e coma
- Mais sonolência e sedação intensa.
- Reflexos lentos, dificuldade para andar, dirigir ou operar máquinas.
- Risco maior de quedas, acidentes domésticos e de trânsito.
Isso é especialmente crítico quando se fala em benzodiazepínicos (como clonazepam, alprazolam) e opioides analgésicos, porque a combinação com álcool aumenta bastante o risco de overdose e morte por depressão respiratória.

Risco de “efeito rebote” em ansiedade, humor e sono
Muitas pessoas acreditam que “um pouco de álcool ajuda a relaxar e dormir melhor”, mas, na prática, o álcool atrapalha a arquitetura do sono e pode piorar sintomas de ansiedade e depressão.
Muitas pessoas acreditam que “um pouco de álcool ajuda a relaxar e dormir melhor”, mas, na prática, o álcool atrapalha a arquitetura do sono e pode piorar sintomas de ansiedade e depressão.
Quando combinado com medicamentos que tratam essas mesmas áreas (como antidepressivos, ansiolíticos, remédios para dormir), alguns efeitos podem aparecer:
- Sono fragmentado, acordar várias vezes à noite, pesadelos ou agitação noturna.
- Piora de sintomas de ansiedade e humor nos dias seguintes, sensação de “ressaca emocional”.
- Dificuldade para avaliar se o tratamento está funcionando, porque o álcool interfere na resposta ao antidepressivo e na adesão ao uso correto.
Esse “efeito rebote” é especialmente relevante nas primeiras semanas de uso de antidepressivos ou estabilizadores de humor, quando o organismo ainda está se adaptando e o equilíbrio é mais frágil.
As misturas mais perigosas (top 7)
A seguir, estão as combinações mais preocupantes quando o assunto é misturar álcool e remédio, com foco em o que pode acontecer, quando piora, sinais de alerta e quando procurar ajuda. Em todos os casos, a orientação individual deve ser definida com médico ou farmacêutico.
Benzodiazepínicos (clonazepam, alprazolam etc.)

- O que pode acontecer: sedação intensa, sonolência prolongada, confusão mental, perda de memória recente, coordenação muito prejudicada, risco de quedas e, em doses mais altas, depressão respiratória e coma.
- Quando piora: uso de doses moderadas ou altas, uso combinado de mais de um depressor do sistema nervoso (por exemplo, benzodiazepínico + opioide), idade avançada, doenças respiratórias (DPOC, apneia do sono).
- Sinais de alerta: dificuldade para manter-se acordado, fala arrastada, respiração lenta ou irregular, coloração arroxeada de lábios ou dedos, não responder adequadamente a estímulos.
- Quando procurar ajuda: se houver dificuldade para acordar a pessoa, respiração lenta, vômitos repetidos ou confusão intensa, o ideal é chamar serviço de emergência ou levar ao pronto-socorro imediatamente.
Remédios para dormir (zolpidem e semelhantes)
- O que pode acontecer: aumento marcado da sedação, comportamentos automáticos (como levantar, falar, comer ou até dirigir sem lembrar depois), risco maior de quedas, confusão e acidentes.
- Quando piora: ingestão de álcool próxima ao horário do remédio (antes ou logo depois), dose acima da recomendada, idade avançada, uso conjunto de outros sedativos.
- Sinais de alerta: sonolência excessiva, dificuldade para acordar, comportamentos estranhos ou sem memória, quedas, fala desconexa.
- Quando procurar ajuda: se a pessoa não acorda adequadamente, apresenta respiração lenta, confusão grave ou sofreu trauma (queda, batida na cabeça), é situação de pronto-atendimento.
Antidepressivos (visão geral)
Existem vários tipos de antidepressivos (como ISRS, tricíclicos, IRNS e outros), e as recomendações sobre álcool podem variar, mas, de forma geral, a mistura é desaconselhada.
- O que pode acontecer: aumento de efeitos colaterais como sonolência, tontura, piora da coordenação, oscilações de humor, risco maior de quedas; em alguns casos específicos, aumento de pressão ou alterações de ritmo cardíaco.
- Quando piora: primeiras semanas de tratamento, doses em aumento, histórico de abuso de álcool, uso de outros medicamentos que afetam o sistema nervoso.
- Sinais de alerta: piora abrupta de humor, agitação, ideias de autoagressão, tonturas intensas, palpitações, desmaios.
- Quando procurar ajuda: qualquer alteração importante de humor ou pensamento, episódios de desmaio, dor no peito, falta de ar ou confusão exigem avaliação médica imediata.
Estimulantes (TDAH: metilfenidato, lisdexanfetamina – Ritalina, Venvanse)
- O que pode acontecer: sobrecarga cardiovascular (aumento de pressão e frequência cardíaca), mais ansiedade, agitação, insônia, piora do julgamento e tomada de decisões, maior risco de comportamento impulsivo.
- Quando piora: doses altas de estimulante, consumo de grande quantidade de álcool em pouco tempo, histórico de doença cardíaca, uso de outras substâncias estimulantes (como energéticos em excesso).
- Sinais de alerta: dor no peito, palpitações intensas, falta de ar, ansiedade extrema, sensação de “coração disparado”, desmaio.
- Quando procurar ajuda: qualquer sintoma cardíaco importante (dor, falta de ar, desmaio) ou alteração comportamental grave deve ser avaliado em serviço de urgência.
No caso dos medicamentos para TDAH, como metilfenidato e lisdexanfetamina, a interação com bebidas alcoólicas merece atenção especial. Veja aqui um guia detalhado sobre medicamentos para TDAH e álcool.
guia detalhado sobre medicamentos para TDAH e álcool
Antipsicóticos
Antipsicóticos são usados em condições como esquizofrenia, transtorno bipolar e outros transtornos psicóticos. Misturar álcool com esses medicamentos pode ser particularmente arriscado.
- O que pode acontecer: sedação intensa, queda de pressão, tonturas, risco de desmaios, piora de sintomas psiquiátricos, interferência no tratamento e aumento do risco de arritmias cardíacas em alguns fármacos.
- Quando piora: doses altas, associação com outros sedativos, doenças cardíacas prévias, uso de medicamentos que também prolongam o intervalo QT.
- Sinais de alerta: desmaios, episódios de confusão grave, movimentos involuntários, dor no peito, palpitações, comportamento desorganizado.
- Quando procurar ajuda: qualquer quadro de desmaio, alteração grave de comportamento ou sintomas cardíacos precisa de avaliação imediata.
Analgésicos (paracetamol, opioides)
Aqui é importante separar dois grupos:
- Analgésicos comuns como paracetamol.
- Analgésicos opioides (codeína, tramadol, morfina e outros).
- O que pode acontecer (paracetamol + álcool): em situações de doses altas e uso repetido, aumento do risco de lesão hepática, principalmente em pessoas que já consomem álcool de forma crônica ou têm doença do fígado.
- O que pode acontecer (opioides + álcool): sedação intensa, depressão respiratória, risco elevado de overdose e morte, principalmente quando combinados com outros sedativos.
- Quando piora: uso de doses próximas ou acima do máximo diário de paracetamol, consumo frequente e pesado de álcool, associação de opioides com benzodiazepínicos ou remédios para dormir.
- Sinais de alerta: dor intensa no lado direito do abdome, náuseas, vômitos e mal-estar após uso excessivo de paracetamol; sonolência extrema, respiração lenta, pupilas muito pequenas, pele fria e úmida no caso de opioides.
- Quando procurar ajuda: suspeita de overdose de paracetamol (ingestão acima da dose máxima, especialmente junto com álcool) ou sinais de depressão respiratória exigem atendimento de emergência.
Antibióticos específicos (quando faz sentido citar)
Nem todo antibiótico interage de maneira significativa com álcool, mas alguns exigem cuidado especial. Em certos casos, a mistura pode causar reações muito desconfortáveis ou perigosas.
- O que pode acontecer: em alguns antibióticos (como metronidazol e determinados cefalosporínicos), pode ocorrer reação tipo “antabuse”, com rubor, náuseas, vômitos, dor de cabeça, falta de ar e queda de pressão ao beber álcool.
- Quando piora: ingestão de álcool durante o tratamento e até 48–72 horas após a última dose (dependendo da bula), uso de doses altas ou em pessoas com doenças pré-existentes.
- Sinais de alerta: vermelhidão súbita na face, palpitações, falta de ar, dor no peito, vômitos repetidos ou desmaio após beber durante uso de antibiótico.
- Quando procurar ajuda: sintomas intensos ou persistentes, principalmente com falta de ar, dor no peito, desmaio ou queda de pressão, devem ser avaliados imediatamente.
Tabela – Classes de medicamentos e nível de risco com álcool
“Mas só uma taça…”: o que muda o risco?
O risco de misturar álcool e remédio não é “tudo ou nada”: ele depende da dose de álcool, tipo de medicamento, tempo de uso, doenças associadas e características individuais. Mesmo assim, em várias combinações, especialmente com medicamentos que agem no sistema nervoso central, a recomendação é evitar totalmente a mistura.
Dose e frequência de álcool
- Quanto maior a quantidade de álcool, maior a chance de interação significativa e de perda de controle da situação.
- Beber muito em pouco tempo (binge drinking) é especialmente perigoso com antidepressivos, estimulantes, benzodiazepínicos, opioides e remédios para dormir.
- O consumo frequente pode modificar o metabolismo hepático, interferindo na ação de determinados medicamentos.
Dose do medicamento e horário
- Tomar o remédio muito próximo ao horário da bebida (antes ou logo depois) aumenta a chance de somar efeitos e colaterais.
- Doses mais altas de medicamentos como benzodiazepínicos, antipsicóticos e opioides ampliam o risco de depressão respiratória e sedação excessiva quando combinadas com álcool.
- Alguns remédios têm pico de ação em determinado horário; misturar álcool nessa janela pode potencializar o efeito indesejado.
Tempo de uso (primeiras semanas são piores em alguns casos)
- Nas primeiras semanas de antidepressivos, ansiolíticos e antipsicóticos, o organismo ainda está se adaptando; a sensibilidade a efeitos colaterais é maior.
- Nesse período, o uso de álcool pode mascarar sintomas, dificultar o ajuste de dose e aumentar o risco de oscilações de humor.
- Em tratamentos crônicos, o álcool pode contribuir para baixa adesão (esquecimento de doses, abandono do remédio), prejudicando o controle da doença.
Comorbidades: fígado, gastrite, ansiedade, apneia do sono
Algumas condições de saúde tornam a mistura álcool e medicamento ainda mais delicada:
- Doenças do fígado: hepatites, cirrose e esteatose aumentam a vulnerabilidade a medicamentos hepatotóxicos, como altas doses de paracetamol e alguns outros fármacos.
- Gastrite e úlcera: álcool e vários medicamentos (anti-inflamatórios, alguns antibióticos, aspirina) irritam a mucosa do estômago, elevando o risco de dor, sangramento e desconforto.
- Ansiedade e depressão: o álcool pode “anestesiar” temporariamente, mas tende a piorar os sintomas no médio prazo, especialmente junto com antidepressivos e ansiolíticos.
- Apneia do sono: depressão respiratória provocada por álcool, benzodiazepínicos, opioides ou remédios para dormir é ainda mais perigosa nesse grupo.
Sinais de alerta: quando é emergência?

Alguns sintomas exigem ação imediata e não devem ser observados “para ver se passa”. Procure serviço de emergência ou acione o SAMU (ou equivalente local) se houver:
- Dificuldade para respirar, respiração lenta, irregular ou muito superficial.
- Sonolência extrema, pessoa que não acorda direito, não responde a chamadas ou estímulos.
- Desmaios, quedas com batida na cabeça, convulsões ou movimentos involuntários anormais.
- Dor no peito, palpitações intensas, sensação de desmaio iminente ou falta de ar importante.
- Confusão mental grave, comportamento muito estranho, fala incompreensível, desorientação.
- Vômitos repetidos, sobretudo em pessoa muito sonolenta (risco de aspiração).
- Suspeita de ingestão acidental de dose muito alta de remédio (por exemplo, paracetamol em quantidade superior à máxima diária, especialmente com álcool).
Nessas situações, não dirija por conta própria se houver risco de piora no caminho; quando possível, chame atendimento de emergência ou peça a outra pessoa que conduza o paciente ao serviço de saúde.
Se eu já misturei, o que faço agora?
Quem nunca se perguntou “misturei álcool e remédio, e agora?” Misturar álcool e medicamentos sem querer é comum, e o mais importante é agir com calma, atenção e bom senso.
Passo a passo sem pânico
- Pare de beber na hora
Interrompa imediatamente o consumo de álcool, mesmo que pareça “pouco”. Isso evita somar mais efeito no organismo. - Anote o que foi tomado e em que horário
Registre: qual remédio, dose, que horas tomou, quanto de álcool ingeriu (tipo de bebida e quantidade aproximada). Essas informações são muito úteis caso seja necessário atendimento. - Observe sintomas nas horas seguintes
Fique atento a sinais como tontura intensa, falta de ar, sonolência excessiva, alterações de comportamento, dor no peito, náuseas fortes ou vômitos repetidos. Se estiver sozinho, avise alguém de confiança para acompanhar. - Avalie se se trata de medicamento de alto risco
- Procure ajuda se surgir qualquer sinal de alerta
Se aparecer um ou mais sintomas da lista de emergência (respiração lenta, desmaio, confusão grave, dor no peito, convulsão), não espere melhorar: procure imediatamente um pronto-socorro ou serviço de urgência. - Não tome remédios extras por conta própria para “compensar”
Evite automedicação adicional, como “um café forte” em exagero, mais estimulantes ou outros fármacos; misturar várias drogas pode piorar a situação. - Converse com seu médico depois do episódio
Mesmo que nada grave tenha acontecido, vale relatar o episódio ao profissional que prescreveu o medicamento. Ele pode adaptar orientações, horários ou até revisar o tratamento conforme seu padrão real de consumo de álcool.
Lembre-se: este passo a passo não substitui avaliação médica individualizada e nem autoriza a mistura regular de álcool e remédio. O ideal é sempre alinhar previamente com médico ou farmacêutico o que é seguro no seu caso.
Perguntas frequentes (FAQ)]
Posso misturar álcool e remédio de vez em quando?
Mesmo “de vez em quando”, misturar álcool e medicamento pode trazer riscos, principalmente com remédios que atuam no sistema nervoso central ou sobre o fígado. Para muitos tratamentos, a recomendação é evitar totalmente a combinação, e a decisão deve ser discutida com o médico ou farmacêutico.
Álcool com antidepressivo é sempre proibido?
Depende do tipo de antidepressivo, da dose, do tempo de uso e do seu estado de saúde geral. Em vários casos, o consumo de álcool é desaconselhado porque aumenta efeitos colaterais, atrapalha a resposta ao tratamento e pode piorar o humor no médio prazo. Sempre alinhe com o profissional que acompanha seu tratamento.
Álcool com Ritalina ou Venvanse: o que pode acontecer?
Misturar álcool com estimulantes usados no TDAH (como metilfenidato/Ritalina e lisdexanfetamina/Venvanse) pode aumentar a pressão, acelerar o coração, intensificar ansiedade e favorecer comportamentos de risco. Além disso, o álcool pode mascarar a percepção de intoxicação, levando a beber mais e se expor a acidentes.
Álcool com clonazepam é muito perigoso?
Combinar álcool com benzodiazepínicos como clonazepam é considerado de alto risco. A mistura aumenta muito a sedação, prejudica reflexos, eleva o risco de quedas e pode levar à depressão respiratória e overdose, especialmente em doses maiores ou em associação com outros sedativos.
Álcool com zolpidem faz mal mesmo que eu durma logo?
Sim. Álcool com zolpidem e outros remédios para dormir aumenta a sedação, favorece comportamentos automáticos (como caminhar ou dirigir sem lembrar) e eleva o risco de acidentes e quedas. Mesmo que a intenção seja “dormir mais rápido”, a combinação é perigosa e não é recomendada.
E uma taça de vinho com antibiótico, pode?
Depende do antibiótico. Alguns, como metronidazol e certos cefalosporínicos, podem causar reações intensas com álcool, com rubor, mal-estar, vômitos e queda de pressão. Como nem sempre é fácil lembrar qual é qual, a conduta mais segura é evitar álcool durante o tratamento e seguir as orientações da bula e do médico.
Tomo paracetamol de vez em quando e bebo socialmente. É seguro?
Em doses habituais, dentro do limite diário recomendado, o uso eventual de paracetamol em pessoas sem doença hepática grave tende a ser bem tolerado, mas o consumo crônico de álcool aumenta a preocupação com o fígado. Nunca ultrapasse a dose máxima diária e, se você bebe com frequência, converse com seu médico sobre alternativas e monitorização.
Fui a uma festa, bebi e só depois lembrei do remédio. Devo pular doses?
Não ajuste a dose por conta própria sem orientação profissional. Em geral, o mais seguro é não tomar “remédio extra” para compensar e conversar com o médico sobre o que aconteceu, especialmente se isso se repete com frequência.
E remédios “naturais” ou fitoterápicos, também interagem com álcool?
Podem interagir. Muitos fitoterápicos têm ação no sistema nervoso, no fígado ou na coagulação, e o álcool pode potencializar efeitos ou aumentar o risco de efeitos colaterais. Leia a bula/monografia e, em caso de dúvida, trate fitoterápicos com o mesmo cuidado de um medicamento convencional.
Referências e leitura adicional
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem consulta médica ou farmacêutica individualizada. Para orientações específicas sobre o seu caso, procure um profissional de saúde.
Fontes confiáveis para aprofundar o tema:
Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde: “Alcoolismo”.
National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) – “Harmful Interactions: Mixing Alcohol with Medicines” e “Alcohol–Medication Interactions: Potentially Dangerous Mixes”.
Healthdirect – “Medicines and alcohol”.
Alcohol and Drug Foundation – “Prescription meds and alcohol – what are the risks?”.
Artigos sobre paracetamol, álcool e fígado – PubMed e PMC.
FDA – Comunicado de segurança sobre riscos de combinar opioides com benzodiazepínicos.
Materiais educativos sobre álcool e outras drogas – Ministério da Saúde/BVS.